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Tuesday, April 12, 2016

12.4.2015 Osaca, 11 a 16C, Altitude 3m

A estação Himeji. Ao lado, a loja de departamentos Festa


Terceiro dia no Kansai, terceira "cidade" a se visitar. (Na verdade todas fazem parte da mesma metrópole, com Osaca de centro.) Para ir a Himeji, pegamos o trem-bala; na maior parte do ano, só param uns poucos expressos em Himeji e o parador, mas nesta época só o direto não está parando, porque todo mundo quer ver o castelo de Himeji com as cerejeiras em flor.

Todo mundo.

Todo mundo MESMO.

Na saída do trem, que parecia saída de metrô no rush, já devíamos ter nos dado conta disso, e deixado pra voltar durante a semana (ainda por cima era domingo, ou seja, a galera toda da região, que dá pra fazer day trip, estava lá também). Mas não pensamos.
O calçadão de Himeji

A estação Himeji em si é uma pérola da Bauhaus, incluída a obrigatória loja de departamentos. Ela dá para uma avenida com calçadões, ainda mais limpa do que a média das ruas japonesas, plantada com bordos em ambos os lados; já da saída da estação dá pra ver o castelo na distância. (A "distância" é de um quilômetro, mais ou menos.) Lojas chiques disputam espaço com lojas de tralha pra turista ao longo da avenida. Já no fim dela, uma praça se abre, separada do castelo por uma rua, com poucas árvores e muitas barraquinhas de comida.
O torreão, visto do primeiro pátio

A ponte e portão principal do castelo estavam coalhados de gente, mais um engolidor de fogo e um par de sujeitos vestidos de soldados do período sengoku pra se tirar foto junto por módicos sei lá quantos ienes. (Com fila.) dentro, o enorme primeiro pátio, que antigamente tinha uma verdadeira sub-cidade, tem ao invés disso um gramado polvilhado de cerejeiras, nos quais uma verdadeira horda mongol fazia piqueniques. Se permitissem churrasqueiras portáteis dentro do castelo, acho que a visão de longe seria a de um castelo ardendo em chamas, tomado pelo inimigo.
Um dos muitos portões. Tem alçapões pra jogar pedras e calhas de óleo fervendo.

A parte paga da visita começa no segundo pátio, depois de uma bilheteria que já foi uma guarita. A passagem pelo portão também foi, naquele dia, o último lugar pelo qual andamos propriamente dito, ao invés de deambularmos em fila indiana. Dali, o sinuoso percurso de um invasor levava a uma sucessão de pátios e, no final, ao torreão, subido também em fila indiana, e em lotes por andar - sai um lote de gente, entra outro. Quase todo mundo olhando só pelas janelas gradeadas, como se fosse um mirante, e muito pouca gente olhando pro interior do castelo - que, a bem dizer, difere bastante do exterior austero mas suntuoso, é basicamente madeira escura sem talha, nem os espaços são muito grandes, o que é até razoável para algo que era uma fortaleza, não apenas um palácio. Thuin se encantou, mas a maioria das pessoas parecia não achar muita graça.  As decorações eram temporárias e colocadas em cima disso.

A sala do harém do torreão de Himeji e um mané fazendo pose.
O castelo havia recém sido reformado, com as técnicas antigas, e havia diagramas de como isso foi feito (a viga-mestra antiga era feita de duas peças de pinheiro; pra nova, arrumaram um único pinheiro enorme). Deu tempo pruma breve pausa, saindo da fila dos outros, para posar de daimiyoo e, do último andar, pra ver a cidade inteira, com encostados no castelo um par de escolas, um zôozinho, um parque de diversões pequeno.
Os muros de pedra seca.

Na saída do torreão, ainda passeamos um pouco pela barbacã, toda ocupada por um jardim. Não deu pra passar no jardim que queríamos conhecer porque já estava na hora do fechamento, então voltamos à estação e tomamos um chope enquanto esperávamos o trem parador para Kobe. As áreas gerais da estação são sob os trilhos, então cada vez que passava um direto por cima tremia tudo.
Vista de um ponto da fila para outro.

Em Kobe, nos deparamos com o pequeno problema de não termos pesquisado antes aonde comer o boi, então recorremos ao tripadvisor, que nos recomendou o corredor de comida da própria estação Kobe; não a shin-Kobe, mas a do meio da cidade. Então pegamos o metrô pra lá e comemos, depois de só sair da shin-Kobe o bastante para ver os arredores, com um rio canalizado transversal à estação (que é alojada entre dois morros). Comemos um pouco preocupados com a hora, com perder o último trem, mas inda deu pra aproveitar; não que o tal boi seja tão interessante assim. É mais macio do que gostoso. Mas o resto do prato de sashimi estava uma delícia, e o tonkatsu idem, então a decepção com o bife de kobe não foi tão grande. Ok que talvez tivéssemos comido melhor e mais barato em Osaca, e sem o atropelo. Ao invés de voltar para shin-Kobe, pegamos um trem direto para Osaca dali mesmo; como para Quioto, o tempo não seria muito diferente. Este, ao contrário do para Quioto, não era um lex, um trem caro (para quem não tem JR pass) e com conforto igual ou melhor que o do shinkansen. Era um "special rapid," mais confortável que metrô mas ainda com putaqueparius pelo meio do corredor e cadeiras não-reclináveis (mas acolchoadas), que demoraria meia hora até Osaca-Central. Melhor meia hora na cadeira normal que arriscar dormir na estação, ou pagar táxi interurbano no país com os táxis mais caros do mundo...

Na barbacã

Monday, April 11, 2016

11.4.2015 Osaca 12 a 16C Altitude 24m


O saguão da estação Quioto

Ou melhor, altitude "24m e subindo," já que foi nosso primeiro dia subindo para Quioto. "Subindo" no caso não é que nem subir do Rio para Petrópolis, já que o Japão, apesar da quantidade de montanhas no mapa, é uma civilização da planície, que via a montanha como território exótico e bárbaro até recentemente. Quioto fica a meros 140m de altura, e sinceramente nem se percebe que o trem está subindo. (Em comparação, o trem de Santos para São Paulo tem que usar uma roda dentada para subir.) Pegamos o trem para Nova Osaca, de lá o trem-bala para Quioto, e descobrimos que o tempo foi mais ou menos o mesmo que se tivéssemos pego um trem normal (expresso interurbano, lex) em Osaca Central, só que com mais baldeação. Anfã. Acontece. Ao contrário da maioria das estações do Japão (que são subsolos de lojas de departamento, basicamente, eou acumulações de puxadinhos) ou de Osaca Central (que é enorme, mas não particularmente impactante), a estação de Quioto é lindíssima, catedral dos transportes da mais pura cepa, toda em aço e vidro. Como Quioto é centro de várias rotas, motivo até pra ter sido capital, a estação é maior do que qualquer das duas de Osaca (bem, ok, também porque as duas dividem as plataformas), com mais de 30 plataformas. O saguão e todo de vidro e aço escovado, enorme e com curvas e ângulos que lembram um origami em escala monumental.
Cerejeira no palácio imperial

Na saída do metrô (menos rápido que os trens urbanos da JR, com estações mais feiúscas e uma programação visual que, se não era exatamente clean, não era o excesso de informação da JR) Fomos ao palácio imperial, para admirar os jardins e porque eles eram parte do nosso caminho para o Pavilhão de Prata e o Caminho dos Filósofos. Os jardins do palácio realmente são bastante impressionantes, uma versão em grande escala de jardins japoneses clássicos; o próprio palácio, uma recriação livre novecentista dos palácios antigos, é bem menos. É basicamente um muro baixo com telhado preto, com uma larga faixa de brita em volta o isolando dos jardins.
O Kamõ

Antes de chegar na loja de bicicletas para alugar as magrelas que nos levariam ao pavilhão e à promenade, atravessamos o rio Kamô, não pelo caminho mais óbvio (pela ponte) mas por um caminho de pedras que pareciam tartarugas. Nas duas margens do rio se estende um parque com cerejeiras e bordos, e uma horda de piqueniqueiros, grupos menores famílias ou amigos, e muitos grupos de escola. Os antigos imperadores diziam que só não podiam controlar as enchentes do Kamô e os monjes de Hiei, mas naquele dia o Kamô estava bem rasinho, mesmo estando na época das cheias do degelo; suponho que a tecnologia moderna tenha superado os antigos imperadores com uma barragem de concreto... (os monges de Hiei foram todos mortos por Oda Nobunaga ainda no final do século XVI) Um pouco depois do rio, vimos um mercadinho que parecia interessante e entramos nele para comprar bentôs pro piquenique, de frutos do mar e de rio, e legumes caipiras cujo nome não aprendemos. (Ao lado tinha uma loja especializada em bentô, mas caríssima e a maioria dos que vendia era de carne.)

A loja de bicicletas ficava ao lado de uma estação de trem que levava para os subúrbios ao norte, e (diziam os cartazes turísticos) o monte Kurama, cujo mosteiro é a casa natal do reiki. Thuin ainda se sentiu tentado a pegar o trem, que acabava num funicular, mas o tempo de ida e volta seria mais de hora e meia, então deixamos pra lá; ao lado, também, havia uma estação da Keihan, o terceiro sistema de trem urbano principal de Quioto além da JR e do metrô, subterrânea. Pegamos as bicicletas, que eram meio gastas mas ok pelo preço e tinham ao invés de corrente uma trava para a roda de trás, e seguimos em frente. Ao lado do lugar de alugar tinha também uma loja de vender bicicletas com umas lindíssimas, e baratas até; se estivéssemos no final da viagem teríamos comprado uma pra arrastar pro Brasil.
A estrada de ferro de Kurama

No caminho até o Pavilhão de prata, passamos boa parte do tempo ao lado da Universidade de Quioto; uns predinhos baixos, sem nada de especial. O que era bastante especial, pelo menos quando contrastado com o que já tínhamos visto do Japão, era a quantidade de árvores, seja nos terrenos da universidade, dos templos que salpicavam o caminho, ou até na própria calçada. A calçada, um pouco mais larga do que a maioria no Japão e com um meio-fio alto (que também não é comum por lá) era o território preferido das bikes, principalmente as pilotadas por tiazinhas. E ninguém reduz a velocidade quando chega perto de pedestre; toca trim trim a buzininha, e o pedestre pula pro lado antes que seja atropelado.
Jardim do pavilhão de prata. Sim, isso é tudo areia grossa.

Logo antes de chegar ao pavilhão, nos perdemos um do outro, e ficamos ali nos procurando por uma boa meia hora. Quando enfim nos encontramos, apeamos (a muvuca era grande demais pra se prosseguir de bike; havia algumas almas corajosas que o faziam), deixamos as bicicletas encostadas numa ameixeira (só as bikes realmente megablaster, que eram muito poucas, eram acorrentadas; a maioria tinha a mesma travinha que a nossa), e subimos a rua de lojas até o pavilhão de prata, que é um templo e, como todo templo alvo de peregrinação eou turismo, tem que ter uma rua de lojinhas de tudo que é tipo de coisa. Comemos uma batata no palito em espiral na ruazinha, nada de mais mas ok, e um obentô melhorzim. O Pavilhão estava lotado, com fila para entrar e galere andando em fila indiana pelos jardins (não se pode entrar nos três prédios do complexo, pequenos, a não ser que você seja convidado especial dos monges). O jardim é realmente tresbundante, completamente zen, com os planos de areia arada, bambus, e pinheiros nas encostas de morro, e bambuza e moitas de chá e camélia bloqueando vistas mais amplas; igualmente perfeito é o pavilhão de prata propriamente dito, que não tem nada de prata; havia um plano originalmente de fazê-lo de prata, assim como o Kinkaku-ji é de ouro, mas alguém deve ter se dado conta de que iam ter que ficar polindo a prata todo santo dia, e nem monge zen tem essa paciência toda. O pavilhão é de madeira bruta com verniz fosco e taipa de pilão pintada em cal viva. Um par de moças próximas a nós na fila não sabia da história, e olhou, confabulou, e chegou à conclusão de que era prata mesmo, dava pra ver.
Óbvio que é de prata, não?

Na saída do ginkaku-ji, inda compramos um saquê na lujinha da saída, e fomos fazer piquenique na promenade dos filósofos, um caminho comprido pelos pés dos morros que cercam Quioto a leste, todo ao longo de um canal estreito com cerejeiras plantadas dos dois lados. Percorremos o caminho inteiro de bicicleta, sujando um pouco a bike e as calças de lama, o que talvez não seja o jeito certo de percorrer um caminho de filósofos zen, mas ok pra nóis. Devolvemos as bicicletas, e pegamos o trem da Keihan, de longe mais tchuns trem urbano que pegamos no Japão, estações com arte que nem as do metrô de SP, sinalização com toda a informação da JR mas sem a confusão, tudo com cara de novo. A estação em que saltamos, já no subúrbio, era um pouco mais distante do que a estação da JR, esta mais basicona mas com pilastras pintadas em vermelho pra imitar os torii.
Arte no "metrô" da Keihan

Magia.
Pura.
Sim, porque Fuximi-Inari-Taixa (o grande santuário de Inari, deus do comércio, em Fuximi) sói ser o santuário de Inari com os torii todos formando corredores pela montanha. Passa-se pela rua de comércio (sushi de bacon, uma delícia), pelo templo exterior e aposentos dos sacerdotes, que vão do medieval ao banalmente moderno, pela cavalariça onde uma estátua de cavalo tem sela e arreios riquíssimos, e entra-se nos corredores que serpenteiam por todo o morro de Fuximi. Os torii são ex-votos; além dos grandões que forma os corredores, há menores pendurados em varais volta e meia em sub-santuários. Pros menores, há tabela de preços padronizados afixada volta e meia; os maiores acho que são da teoria "se você tem que perguntar você não pode pagar." No meio do caminho montanha acima - sim, este foi o dia do exercício e subimos até o alto, que é o verdadeiro santuário interior, com ares prehistóricos e Inari encarnado numa pedra -  casas de chá servem de lugar pra descansar e tomar um cházim e sopinha. Se embaixo, assim como no Ginkaku-ji, uma multidão meio que sabota os ares místicos do lugar, depois de percorrido o primeiro quilômetro ela some quase inteira, e andamos pelos corredores de torii quase sozinhos no lusco-fusco do entardecer; voltamos já de noite, e teve uma hora em que uma moça que estava perdida começou a nos acompanhar.
Magia.

Na volta, pegamos a estação da JR direto até Quioto; poderíamos ter pego direto até Osaca, no outro sentido, mas melhor ir até Quioto e pegar o trem expresso que ir pingando até Osaca num trem tipo metrô. Chegando na estação Osaca, fomos atrás de um lugar pra comer por lá mesmo, já que não acharíamos perto do hotel, e acabamos indo parar num sushi de esteirinha. Bastante bom, com vários sabores que não conhecíamos, e com a atração de ser a porcaria dum sushi de esteirinha. Com direito a sushi de natto, sushi de lula fermentada...

Não sei quem fui que comeu isso tudo.





Sunday, April 10, 2016

10.4.2015 Osaca 8 a 14C Altitude 24m



No 2o dia em Osaca, pela primeira vez pegamos o metrô sem ser o trem da JR, e compramos um bilhete diário; depois acabamos nos dando conta de que dava pra chegar de JR (isso é, usando só o JR pass e não pagando nada) sem andar muito mais, e mesmo para usar o metrô podíamos ter usado só um ida e volta. Enfim, coisas de gringo. No metrô, milhares de anúncios dum estranho animal azul; depois descobrimos que é o mascote do novo prédio mais alto da cidade, e é o Sky Bear. Fomos ao museu histórico de Osaca, que fica ao lado do antigo castelo. Ou do novo castelo, já que o torreão é uma reconstrução em concreto do castelo, destruído ainda durante a instauração do xogunato Tokugawa, no século XVII. Saímos do metrô e descobrimos que chovia uma chuvinha chata, estragando nosso plano de fazer piquenique no castelo; o caminho margeava uma larga avenida e o fosso do castelo.



O museu não aparecia, e começamos a pensar que tínhamos conseguido nos perder num caminho tão reto assim; passamos por uma loja de conveniência (no Japão, não precisa de posto de gasolina pra ter loja de conveniência, e elas estão por toda parte), compramos um saquê e uma coca, filamos o wifi, e seguimos em frente; o problema não era tanto estar no caminho errado quanto não ter, na larga avenida, nenhum sinal de trânsito ou passagem para usar, e ela, começou a se afastar do castelo... mas apareceu, enfim, uma passarela, e entramos nos jardins do castelo. Muitas cerejeiras em flor, com mais flores ainda no chão, jogadas pela chuva; depois de atravessar um bosquedo, dava pra ver as muralhas exteriores (essas sim originais, de pedra) do outro lado do fosso, também coalhado de flores de sakura. Um pouco incongruamente, no meio desse pátio de castelo, além das cerejeiras, um monte de latões de lixo (não tem lata de lixo na rua, mas tem nos parques, pra piqueniqueiros) e uns brinquedos de criança, desses básicos de parquinho. Eventualmente, saímos por uma pequena ponte, ao lado do centro de visitantes, deixamos pra lá a breve ideia de visitar o torreão, com seu museu de si mesmo, e atravessamos a rua de novo, correndo porque o sinal era estilo SP: fica verde, você tem três apitos antes dos carros te atropelarem.

O museu é um prédio de dez andares que divide o lobby com a NHK, a tv japonesa que passa nas tevês a cabo brasileiras, com direito a uns banners bem bregas no lado NHK, um contraste absurdo com o museu minimalista. Entra-se e sobe-se ao último andar, para então descer pelos 6 andares de exposições. Logo de cara, um imenso painel com ideogramas arcaicos, formado de cerâmica para a qual se usou a mesma camada de terra aonde estava enterrada a primeira Osaca, chamada de Naniwa, um dos aglomerados urbanos mais antigos do Japão. (O guia do museu força um tico a barra chamando de "primeira capital do Japão.") As exposições juntam objetos antigos com maquetes de todos os tamanhos - tem uma reprodução em tamanho natural, com manequins, de uma cerimônia no castelo de Naniwa. Em cada andar, um carimbo diferente. No Japão, pontos de interesse como museus e outras atrações turísticas, prédios de governo importantes, ou estações de trem têm carimbos, que as pessoas colecionam em seus cadernos. Mari adorou a ideia, e fez questão de carimbar todos os seis. Entre os andares, escadas rolantes com janelões de vidro daonde se vê o torreão do castelo; se não estivesse chovendo, quer dizer. Do jeito que tava, deu pra ver beeeem mais ou menos.

Na saída do museu, ainda deu pra ver, na praça em frente, a reprodução dum armazém pré-histórico escavado ali mesmo e, em volta, tocos de madeira na mesma posição das pilastras dos outros armazéns escavados no local. Não custa lembrar que a cultura protojaponesa, trazida da Coréia, é acima de tudo a cultura do arroz, e portanto do armazém pra proteger o arroz dos ratos... pegamos o trem para o centro da cidade, onde ficam os museus de arte contemporânea e ciência - ao contrário de Tóquio, em que o antigo castelo era o centro em torno do qual tudo gravitava, e o bairro central de negócios se chama Marunouchi, "pátio do castelo," em Osaca os mercadores e o porto sempre reinaram, e o castelo é quase no subúrbio. O porto medieval, claro, hoje fica a vários quilômetros do mar (nosso hotel, no que era porto nos anos 50, fica a 3km), então só o que tem é um bairro de negócios, rico, com largos canais atravessando. Andando por essa área, um restaurante mais apetitoso que o outro, inclusive um chamado "porco." Assim, em italiano ou português. O cardápio parecia uma delícia, não fosse a quantidade de zeros na coluna da direita.
A antiga estação central

Os museus, descobrimos só ao ver, eram parte da mesma estrutura. O de ciências numa torre gordota, o de arte no subsolo, com uma entrada de vidro curiosa em meia lua, quase abraçando o de ciências. Como faltava uma mera hora para a última entrada (e mais uma hora lá dentro antes de ser enxotado), Mari foi entrando sozinha no de arte enquanto Thuin ia pro de ciências. Este não tem grandes pirotecnias, mas sim aqueles experimentos comuns de museu de ciência, só que todos muito bons e muitos, muitos, mas muitos mesmo deles. E crianças aproveitando, apesar de ser uma sexta-feira. Sem brincar com tudo, deu tempo ainda de Thuin sair de lá e entrar no museu de arte contemporânea, quase no photochart (as moças da bilheteria riram da pressa). Este estava inteiro dominado por uma única exposição, "sombras de Jiro Takamatsu." Sim, era a retrospectiva da carreira do moço; além dos trabalhos com sombras literais, uma fase particularmente interessante tinha instalações e esculturas com matérias brutas.

De volta ao hotel, resolvemos que DESSA VEZ íamos fazer o piquenique de qualquer jeito (a bendita garrafa de vinho e os benditos queijos e ova estavam na mochila passeando conosco de um lado pro outro há tempos), e fomos para a praça, coberta, defronte ao hotel fazer piquenique na mesinha. A ideia não durou muito tempo, porque estava um vento frio cortante, por mais que a praça fosse coberta e rodeada de prédios altos, então fomos pro quarto terminar o piquenique em cima da cama.

Saturday, April 9, 2016

9.4.2015 Osaca 5 a 8C, Altitude 3m



Nosso primeiro dia em Osaca nasceu com um imperativo maior do que qualquer atração turística: lavar a roupa. A última vez em que tínhamos lavado mais roupa tinha sido em Kazan, a 10.000km de distância; desde então, só a lavada de roupa de baixo e camiseta para o dia seguinte. Tomamos café da manhã, inclusive o chá de rosas russo e, com a ajuda do concierge, que tinha um livrão com "todas as perguntas possíveis que os hóspedes façam" e xerocou um mapa das laundromats da região, fomos lá atrás da própria. Na frente da laundromat tinha um cafézinho, ênfase no inho, lotado por meia dúzia de habituês e cheio de fumaça de cigarro (na rua não pode, naquela região de Osaca, mas pequenos negócios são isentos da lei, pelo visto. Ou a galera era da máfia, sempre pode ser.) A tia dona-cozinheira-chapeira-e-garçonete nos serviu dois sanduíches de miga muito bons, um de ovo e um de presunto, dois cafés aguados mas melhores do que a imensa maioria dos cafés daquelas bandas do mundo entre Moscou e Tóquio, e água da bica de cortesia; café da manhã dos campeões, e durou o exato tempo da máquina lavar nossas roupas.

Roupas empacotadas no quarto do hotel, fomos para o aquário. Na estação de trem (duas estações depois do hotel), muitos cartazes já do próprio, e idem pela rua. Logo antes da esplanada que o aquário divide com um shopping center e uma roda gigante, um buraco na parede servia, em duas mesinhas na rua, takoyaki; do outro lado da rua se erguiam, altaneiros, um McDonald's e um Sukiya. O takoyaki era quilômetros melhor do que qualquer outro que tivéssemos comido, e barato; com ele, tomamos uma garrafa de asahi. (Antarctica)

O aquário de Osaca, Kaiyukan, é um dos maiores do mundo. O símbolo dele, estambado do ingresso a bichos de pelúcia às paredes, é um tubarão baleia, e entrando no aquário deu pra entender por que. Seu caminho pelo aquário é uma espiral descendente (depois de chegar lá em cima de escadas rolantes que passam por cartazes sobre o mundo dos animais aquáticos e explicam previamente o roteiro e conceito, em japonẽs, inglês, chinês, e coreano). À volta da espiral, os tanques menores (mas mesmo assim muitos enormes); no meio, um único grande tanque cilíndrico. O tema do aquário é o "anel de fogo" pacífico, então os tanques menores reproduzem ambientes específicos ao redor do oceano, enquanto o tanque principal é uma fração do mar aberto engaiolada, com os grandes peixes pelágicos. Inclusive ela, a tubaroa baleia, rodando leeeeeentamente enquanto comia. Só lembrávamos da música "ela não anda/ela desfila..." Também havia um polvo que valia mais do que o tanztheater Wuppertal inteiro, lontras marinhas, águas vivas, um peixe-lua, etc etc etc et fuckin' coetera. Na saída, obviamente, uma lojinha do aquário, onde compramos lembranças, incluindo um tubarão-baleia de pelúcia pro afilhado. No shopping logo em frente ao aquário, a versão não-é-bem-pirata de tudo que tinha na loja do museu, em maior quantidade e variedade, e menor preço...

Do outro lado do shopping, a escada rolante, com quatro gôndolas de acrílico transparente. Podia-se chegar e entrar nas gôndolas normais (era uma quarta feira, na época em que todos os turistas estão em Quioto olhando as cerejeiras) ou esperar na fila pela de acrílico. Mesmo com o medo de altura de Mari, esperamos. A vista é interessante, mas não chega a ser excepcional, até porque afinal estávamos hospedados mais alto e não muito longe dali; o melhor é mesmo a brincadeira da gôndola de acrílico.
Nosso hotel, visto da roda gigante

Na volta para o hotel, paramos para jantar no mesmo restaurantezinho do takoyaki, agora já sem as mesinhas na calçada, não sei se enxotadas por alguma lei ou pela brisa noturna. Dentro, pedimos mais takoyaki e okonomiyaki (panqueca), tão bom quanto. Um bêbado achou divertidíssimo ter gringo ali e tentava se comunicar conosco, sem muito sucesso, e empurrar shochu para bebermos, com mais sucesso.


Friday, April 8, 2016

8.4.2015 Ilha Miyajima 8 a 13C Altitude 0m



Acordamos. Voltamos pros banhos. Tomamos café; mais simples que a extravagância da noite, mas delicioso, à base de arroz, peixe, e ovo en cocotte.  Nossa estalagem era ladeira acima, já no fim da cidadezinha que há na ilha, então ao invés de descer direto para o torii e o templo que eram a atração principal, resolvemos subir o morro até um teleférico; apenas umas cinco casas estavam entre nós e o início do parque, demarcado por um pequeno torii; aqui tudo é sagrado, tanto que - teoricamente - é proibida até a entrada de mulheres que estejam menstruando, para que o sangue não polua o território sagrado. Os veadinhos que encontramos pelo parque também são sagrados, e qualquer ataque a eles é punido (de novo, teoricamente) como um ataque a um ser humano; nos velhos e bons tempos, era como um ataque a um samurai, que plebeu não era bem gente. No alto do caminho, o primeiro contato com o conceito "Japão não é civilização do cartão." Não podia pagar teleférico com cartão. Não tinha banco 24h. Nopes. Sinto muito. Meia volta. Tchau. Descemos tooooodo o caminho de volta até a cidade, e fomos pelo mercado catando um banco. Nos informaram que acharíamos no correio, e achamos. Fomos sacar dinheiro e... cartão bloqueado. Diliça. O outro cartão funcionava, grazadeus. Não voltamos pro morro, que era muito chão pra se andar agora. Passeamos um pouco pelo próprio mercado, bebemos uma cerveja local hipster com os veadinhos no rótulo, comemos lula assada, deixamos de comprar (para depois nos arrepender) um shoyu local, que dizem é o melhor shoyu que existe, e fomos ver o torii e o santuário das três deusas.

O torii - era maré alta - realmente parecia pousado sobre as águas do mar. Lindo. O santuário, igualmente lindo, é basicamente um corredor compridíssimo fechando a pequena angra da qual o torii é a entrada, com alguns salões ao longo. Humanos entram pelas pontas; meio do caminho, uma ponte ridiculamente íngreme entre esse corredor e a terra, fechada a seres humanos, é a entrada principal da ilha, apenas para deuses e espíritos. Depois de percorrer o santuário, seguimos para o oeste para chegar ao aquário da ilha.

O aquário não é pequeno; tem até shows de focas, além de tanques de tudo que é tamanho para peixes e crustáceos, pinguins e lontras e águas vivas,  e um par de salas explicando sobre a construção e reforma do santuário. Uma pá de criança para tudo que é canto. Na volta, passamos pelo torii grande na maré baixa, e fomos lá olhar de perto. Realmente é impressionante o tamanho do tronco de canforeira que virou pilastra. E enquanto olhávamos um pouco mais de longe, um veadinho mordeu a sacola de comida que Thuin carregava. Mari ao invés de ajudar caiu na gargalhada... outra vítima dos veados, que vimos embaixo duma toiceira de camélias, começou dando comida pra eles pra depois jogar a comida com força em cima enquanto corria.

nos damos conta de que o tempo já seria meio curto para parar em Okayama ver um parque antes de seguir para Osaca. Fomos, no atropelo, pegamos a barca quase correndo, trem local-expresso para Hiroxima, shinkansen. E, claro, quando saltamos em Okayama tínhamos exatamente SETE MINUTOS para passar pelos portões do parque antes dele fechar. Em outras palavras, não. Esperamos o próximo shinkansen, compramos uma marmita para comer no trem, e lá fomos nós. Ao contrário da marmita deliciosa de Fukuoka, esta, dentro da embalagem linda, era meio gross, com direito a um inacreditável sushi de salsicha viena frita. O horror. Mas o trem era igualmente perfeito, e nos deixou na estação Nova de Osaca no horário (já de noitinha). A estação Nova Osaca é onde param os tavs em Osaca e mais uma plêiade de trens locais; é das maiores do Japão, com as obrigatórias lojas de departamento, edifícios comerciais, e hotéis para todos os bolsos em volta. Estã no caminho do trem regular entre Osaca e o sul, e o trem expresso local que pegamos nela para a estação Osaca Central usava esses trilhos (que são quádruplos). Lotaaaaado.

Ao desembarcar na Central (muito maior ainda, com um teto cavernoso sobre o mezanino sobre os trilhos), descobrimos que...não precisaríamos ter desembarcado, se tivéssemos pego o trem parador, que seguia até a área de porto "revitalizada" onde se erguia nosso hotel. Anfã. Lá fomos nós, e um grupo de gringos que pelo visto tinha se confundido igual, pegar o trem de novo até Bentenchõ e o hotel. Na saída em Bentenchõ, apesar de só haver quatro saídas do trem (em viaduto), a sinalização confusa da JR não ajudava, e fomos pedir ajuda a uma moça que, prontamente, disse que estava indo pro mesmo sentido e nos falou para acompanhá-la. A mentirosa nos deixou na porta do hotel e deu meia volta para voltar à estação de trem...

O hotel, uma torre, a segunda mais alta da cidade e quinta do Japão, com apartamentos entre a altura do viaduto do trem e o 20o andar, e hotel dali em diante (mais um lobby ao rés do chão). Nosso quarto era no 38o andar ou coisa que o valha. A vista, fantástica, fora o pequeno detalhe de a janela não abrir. Nosso quarto era voltado para o interior e não o mar. na distância, via-se as torres em torno da estação Central. A cama era muito mole, e fomos pedir um colchonete para Thuin dormir. O concierge sorria e abanava a cabeça, e ia dando sinais de que estava aflito por não entender... eventualmente desistimos, e pedimos só um cobertor a mais, e eventualmente isso ele entendeu.


Thursday, April 7, 2016

7.4.2015 Fukuoka 11 a 14C Altitude 12m

Este foi o dia em que nosso trem matou um cara.

Pera. Me adianto. De volta pro começo. Tínhamos um trem para pegar rumo a Hiroxima e à Ilha Miyajima à 1:30. Ainda não falamos do maravilhoso JR pass e de como ele funciona, acho. É assim: você tem o passe (nominal, sem chance de 2a via se perder), e com ele pode entrar em qualquer trem do país na segunda classe, sem reservar assento. Também pode reservar assento, se quiser. Para ir na 1a classe, o que podíamos porque nosso passe era de 1a (por conta das costas de Thuin), precisava reservar, mas não pagava nada a mais por isso; teoricamente, tínhamos o direito de ir num guichê e reservar uma cadeira na 1a classe em cada trem do Japão (é claro que a atendente ia xingar a gente e se recusar, mas nas regras não tinha nada dizendo que não podia).  Então, como queríamos a 1a (seria a viagem individual mais comprida que faríamos no xinkancen), já tínhamos reservado para a 1:30, com tempo para chegar em Hiroxima, talvez passear um pouco, e pegar um bonde para a estação das barcas.

Como acordamos bem cedo, decidimos que tínhamos tempo de fazer outro passeio antes de ir para o parque que seria a estrela do dia, com um jardim famoso de estilo chinês e um museu que incluía o tal selo chinês que é o artefato mais antigo a mencionar o Japão. E decidimos por um parque à beira-mar, no subúrbio, que tinha aparentemente mais barraquinhas de comida, e massas de rododendros e wisterias em flor. Pegamos na estação Hakata um trem expresso (com orelhas de Mickey Mouse nas cadeiras, que serviam para apoiar travesseiros) até uma estação na beira do subúrbio, e lá trocamos por outro trem, local. A estação suburbana, ao contrário da de Hakata, era simples, estilo CPTM. Cheia de adolescentes de uniforme escolar. Com uma barranca ao lado que tinha mato verde, variegado, subtropical, que nos deixou absolutamente encantados depois de um mês de Sibéria.

Nosso 2o trem, ao contrário do expresso chiquérrimo mickey mouse, era um velhinho, com ventilador parecendo ventilador de mesa antigo e apenas dois vagões. Pulava um tanto, o que foi o primeiro momento "acho que estamos entrando numa roubada." Quando estávamos nos decidindo se o pula-pula era o bastante para darmos meia-volta na próxima estação (de novo, as costas de Thuin), o trem para, subitamente, logo depois de cruzar uma passagem de nível. Todo mundo se entreolhando, então não era normal. Passa, correndo, o maquinista para a traseira. Passa de novo, correndo, de volta para a cabine dianteira. Mais tempo corre. Uma aglomeração de crianças do bairro (nessa altura, exclusivamente de casinhas) se junta ao lado do trem. Uns médicos aparecem, mas só ficam olhando. Chegam os bombeiros. Polícia. O bairro, todo de ruazinhas apertadas, pelo visto não ajuda; o trem estava a cavalo da única com mais de uma via.

Aparentemente, o trem tinha atropelado alguém. As criancinhas entregaram aos bombeiros um casaco que parecia caro, mas isso não quer dizer muita coisa; no Japão ultra-consumista e sem espaço no armário, tem mendigo com roupa cara. Pelo visto a pessoa não tinha morrido, não de vez, porque os bombeiros cavaram um espaço sob os trilhos e armaram uma espécie de túnel até a ambulância para levar a pessoa. E nisso horas se passaram... só quando a vítima já havia sido levada embora é que pudemos descer do trem, por uma escadinha de emergência na traseira. E aí fomos esperar que a polícia e o representante da JR nos chamassem um táxi - e ficamos por último nisso, ou seja, mais horas. E isso tudo sem entender muito bem o que se passava, já que os únicos que falavam inglês ali por perto, um casal de nisseis americanos, nos ignoraram redondamente e foram eles chamar seu táxi logo. Enfim, fomos enfiados pelo representante da JR num táxi, digrátish pra onde quiséssemos ir. O taxista, apesar das capas rendadinhas no encosto, era vida loka e chegou de volta na estação Hakata em não muito mais tempo do que o trem expresso, com direito a um momento inacreditável em que fez slalom atravessando uma avenida portuária na transversal. Ouvia o que, pelo tom, devia ser o Datena local. E recebeu da JR pela viagem, se não tiverem pago a volta, uns 200 dólares.

Com essa bagunça toda, perdemos não apenas o passeio (o principal e o extra) como também o trem para Hiroxima. Ah well. Pegamos o trem de 3:40. E com isso fizemos todas as três categorias de trem do Japão (local, expresso chique, e tav) no mesmo dia. Por dentro, fora ter uma fileira a mais (a bitola é padrão europeu ao invés de estreita), o tav tinha o mesmo padrão do mickey mouse de de manhã, o que quer dizer mil vezes melhor que qualquer poltrona de avião fora das primeiras classes e executivas-cama da vida. Larga, reclinando pra caramba. A aceleração do trem é quase imperceptível, as curvas idem, trepidação zero a não ser por uma sensação de onda de choque ao passar por outro trem ou entrar num túnel. A paisagem que se via, quando o trem não estava num túnel, era de muitos morros verdes e ilhas - um pouco como a Rio-Santos, só que com muuito mais área urbanizada, e muita indústria pesada. Refinarias, siderúrgicas. Chegamos em Hiroxima e, claro, nada de passeio nem de pegar bonde, que se não perderíamos o jantar em Miyajima. Pegamos o trem local-rápido, amarelo, que era expresso como os expressos da CPTM ou da Supervia, com jeito de metrô dentro. Chegamos na barca já ao anoitecer, com pouco tempo pra perdermos a janta. A barca, grande e lerda, não demorou muito; a paisagem dela lembrava muito Angra dos Reis. Na ilha, pegamos um táxi que, pelo tamanico da cidade, nem passou da primeira bandeirada, uns 16 reais. Enfim, a tempo.

Estávamos num riyokan, uma estalagem à moda antiga, com jantar incluído. No Japão riyokan são mais estrela na comida do que restaurantes. E este não decepcionou; foi, talvez, a melhor comida que qualquer um de nós já tenha comido na vida. Era quase uma sinfonia, com vários pratinhos na ordem certa; sashimi, sushi, caldo, grelhado, sukiyaki, arroz, sobremesa... tudo perfeito. Depois do jantar, fomos para o banho: um onsen, com água fervendo das entranhas da terra. Toma-se banho num chuveirinho com balde antes de entrar na banheira pública (pelado - os banhos são divididos por sexo). Este em particular, além da banheirona interna tinha outra, menor, ao ar livre. Depois do dia punk, ficamos basicamente todo o tempo que podíamos, até fechar nos banhos...